1.9.08

O TSE que me desculpe

A campanha do TSE foi criada e produzida por um dos melhores times da propaganda brasileira, mas esse negócio de ficar mandando letrinha para o eleitor já está clichê demais. As idéias são muito boas, mas o efeito é pífio. Por acaso o ilustre cidadão que dirige a atenção a este texto acha que a iniciativa do TSE vai conscientizar alguém de alguma coisa, nesta altura do campeonato? Acha? Então lá vai: meu caro colega, a maioria dos eleitores deste país sequer lembra em quem votou, está nas pesquisas. Você sabe, talvez até seja um deles. Em sua maioria, o brasileiro usa o título eleitoral porque a lei obriga e, vejam só, o TSE fiscaliza. Mesmo. E nem precisa fazer blitze ou usar pardal. Então, para evitar aborrecimentos futuros e como não dá pra subornar o mesário, o cidadão vai lá e dá ou vende o seu voto para qualquer um. E esquece. Este é o grande civismo nacional. É como pagar o IPTU, o IPVA. Não dá pra fugir. E é de graça, não custa nada.

Mas a campanha custa alguns milhões e quem paga somos nós. E qual é o resultado? Parece que muito bom para o ego cívico de quem a brifou, criou e produziu. O pessoal do TSE que se reuniu com a agência que, por sua vez, conceituou e criou belos vts e as produtoras de vídeo e áudio que produziram de forma brilhante uma idéia bem bolada. Devem estar orgulhosos da campanha que realizaram. Tudo bem. A idéia é boa mesmo. Bem posicionada, criativa, ótima direção, bons atores, equipe de primeira. Deve até ganhar prêmio. Mas é um prêmio semelhante ao gol que o jogador faz no time em que jogava até ontem e do qual ainda é ídolo. Não dá pra comemorar. Sofremos do mal da malandragem política há bem mais do que o período de um governo municipal. Há 508 anos andamos em círculos, sapateamos na hora do nervosismo e ouvimos o constante zumbido de uma abelha enjoada no ouvido interno.

É claro que existe uma parcela da população - a esmagada minoria - que gosta dessas iniciativas. Têm fé política e estão intimamente ligados à internet. Acessam o You Tube para ver todas as peças. Mandam para os amigos. Recheiam blogs com posts e comentários contra o que enxergam de mentiroso e escabroso nos discursos dos nossos queridos candidatos e candidatas – não podemos esquecer que escrevemos na feminina Porto Alegre, onde as mulheres querem dar uma surra no homem e expulsá-lo de casa. Para estimulá-los ainda mais e para não ficar nessa de só criticar o trabalho dos outros, vou dar uma idéia, sem cobrar um tostão do TSE. E é muito simples: tirar o foco do eleitor e falar diretamente com os candidatos, fazendo uma proposta da estatura deles. No vídeo, uma sucessão de imagens de arquivo das tantas caras deste imenso país, bem mais baratas do que pagar horas em estúdios e locações. No áudio, uma trilha pesquisada de impacto e locutor bem à vontade:

- Caro candidato, o TSE já torrou alguns milhões em campanhas de conscientização eleitoral. E elas não deram o menor retorno. O eleitor parece que está de saco cheio e, sejamos sinceros, nós também. Portanto, o negócio é o seguinte, meu caro: milhares de eleitores de escroto lotado querem saber o que o caríssimo tem a propor. Vamos lá, apresente suas idéias, mostre como vai governar, faça suas promessas de uma vez, minta, se preferir. Tudo bem, faz parte da tradição e do marketing. Mas, aí vem o mais importante, registre o seguinte compromisso em cartório: caso não consiga cumprir as promessas do seu primeiro ano de governo, deverá renunciar imediatamente ao cargo sem CPI. Para mais informações, acesse nosso site. O povo das cidades deste país agradece. E os cofres públicos, também. Abraço. Tribunal Superior Eleitoral.

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